terça-feira, 26 de novembro de 2019

A decisão de ter e não ter filhos

(Pintura de Paula Becker)


Existem muitas pessoas que ambicionam ter filhos, religiosos, políticos que discursam sobre questões de gênero onde o problema central é: homossexuais não se reproduzem. A “não reprodução”. Outra parte é o medo da solidão da velhice. Como se os homossexuais não tivessem direito à adoção (tantas crianças por aí precisando de pais adotivos, de uma família) e os filhos não abandonassem os pais no asilo.
 Primitivamente, a procriação estava ligada à continuidade da espécie. Com o tempo, a sociedade manteve por questões culturais. Alguns pelo sobrenome, outros por herança de reinados, etc. No artigo escrito por Vitor Bartoletti Sartori na Revista Filosofia, ciência e vida, há um simbolismo que carrega o nascimento:
 “Somente para que tragamos um exemplo de como ele marca a cultura ocidental, vale mencionar o papel que desempenha o nascimento de Jesus de Nazaré na religião cristã. Não só se tem a vinda de um indivíduo extraordinário ao mundo dos homens: existe toda uma simbologia em torno do nascimento de uma nova era”
 Partindo desse ponto, ter filhos é “dar ensejo a mudança”. O autor também cita Hannah Arendt nessa questão onde o surgimento de um novo indivíduo mostra possibilidades de que ocorra algo extraordinário:
 “ A filosofia Política de Hannah Arendt pode ser vista tendo isso em mente: a autora, que, aliás, não teve filhos, destaca que vivemos em um mundo em que a todo momento são acrescidas novas possibilidades em virtude do simples fato de novos indivíduos, sem vínculos com o mundo presente, serem trazidos ao convívio social”.
 A priori é compreensivo de modo “existencial” a vontade de alguns em gerar filhos, porém isso envolve questões sociais e socioemocionais que muitos não pensam. Abordando de maneira mais subjetiva, o indivíduo não leva em consideração suas condições financeiras e psicológicas. Para um sonho se concretizar é necessário que seja num ambiente concreto, planejado. Colocar uma criança no mundo onde ela vai passar por apertos materiais, não terá um ambiente bom para se desenvolver emocionalmente e carregará sofrimento pela vida toda porque o pai e/ou a mãe achava lindos os aspectos positivos que compõe a maternidade. Isso pode ser caracterizado como egoísmo pois envolve outra pessoa. Tudo pode e deve ser pensado. Temos a racionalidade para tal e não somos somente animais querendo manter a espécie.


Nenhum comentário:

Postar um comentário