terça-feira, 26 de novembro de 2019

Por que filosofia? Uma questão pessoal também.




 Quando era criança, minha vontade era ser atriz. Sempre ia ao teatro e passava horas em frente a TV observando os personagens de novela. Era quita, porém observadora. Até os dias atuais observo muito bem tudo o que acontece ao meu redor. Outras horas, principalmente nas férias na casa dos meus avós, passava meu tempo lendo e sempre incentivada em estudar e tirar boas notas. Tive meu primeiro emprego aos dezesseis anos e sinceramente detestava o trabalho em si, mas continuava devido a liberdade financeira que me proporcionava. Trabalhando em empresas, percebi que não era aquilo que queria: ficar oito horas presa num escritório, com a mesma rotina de sempre. Nessa época já fazia teatro, aulas de dança e descobri que também gostava de escrever. Com dezoito anos lancei meu primeiro livro junto com outros autores. Passei tempos me dedicando a arte e literatura até que chegou um tempo, com vinte e um anos já era hora de cursar uma faculdade.
 Não achei artes cênicas e era muito caro. Jornalismo foi uma opção, porém surgiu algo que me faria pensar mais ainda: a filosofia. Por incrível que pareça (ou não), meu primeiro contato (após o ensino médio) foi com filósofos também considerados teólogos: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Nessa época era católica praticante procurava estudar a doutrina, participava de eventos até que conheci a faculdade de teologia e filosofia onde me matriculei. Com o tempo, toda minha crença e admiração caíram por terra, foram esmagadas e cuspidas. Conheci todo o processo político dentro da igreja mais afundo e aquilo já não fazia mais sentido. Essa é uma história de crenças pessoais que tratei em outro blog próprio para levantar essas questões.
 Cada vez mais amadurecia intelectualmente, tive modelos de professores excelentes e a filosofia é algo que se tornou algo precioso até hoje para mim. Encontrei a liberdade com a disciplina de estudar, pesquisar e ser contrariada. A filosofia me tirou do comodismo intelectual, me fez ficar noites sem dormir, dias de angústias, mas também eixou a vida mais interessante e o mundo dos filósofos me despertou mais curiosidade. Não posso deixar de citar Nietzsche e suas obras que me mantém atenta até hoje (e um pouco com raiva das ações humanas). Em parte, compreendi o sentido da vida, outra parte continuo a compreender. Todo conhecimento adquirido gerou anseio por ensinar, mas também a repulsa pela burrice alheia. Parei na sala de aula e amo isso, apesar dos pesares. A arte ainda continua com um sentido mais profundo até mesmo porque pude estudar a Filosofia da arte e Estética na grade curricular. Claro que tenho meus momentos de “professora chata” (para os alunos, claro), um fama que nós, filósofos temos, pois exigimos dos outros mais raciocínio e pelo menos uma parte de nosso incomodo que nos faz buscar pelo saber. Por mais que haja rótulos, haverá aqueles alunos mais evoluídos que farão sentir que minha profissão valeu a pena como escolha entre tantas outras.


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