Quando era criança, minha vontade era ser atriz. Sempre ia
ao teatro e passava horas em frente a TV observando os personagens de novela.
Era quita, porém observadora. Até os dias atuais observo muito bem tudo o que
acontece ao meu redor. Outras horas, principalmente nas férias na casa dos meus
avós, passava meu tempo lendo e sempre incentivada em estudar e tirar boas
notas. Tive meu primeiro emprego aos dezesseis anos e sinceramente detestava o
trabalho em si, mas continuava devido a liberdade financeira que me
proporcionava. Trabalhando em empresas, percebi que não era aquilo que queria:
ficar oito horas presa num escritório, com a mesma rotina de sempre. Nessa
época já fazia teatro, aulas de dança e descobri que também gostava de
escrever. Com dezoito anos lancei meu primeiro livro junto com outros autores.
Passei tempos me dedicando a arte e literatura até que chegou um tempo, com
vinte e um anos já era hora de cursar uma faculdade.
Não achei artes
cênicas e era muito caro. Jornalismo foi uma opção, porém surgiu algo que me
faria pensar mais ainda: a filosofia. Por incrível que pareça (ou não), meu
primeiro contato (após o ensino médio) foi com filósofos também considerados
teólogos: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Nessa época era católica
praticante procurava estudar a doutrina, participava de eventos até que conheci
a faculdade de teologia e filosofia onde me matriculei. Com o tempo, toda minha
crença e admiração caíram por terra, foram esmagadas e cuspidas. Conheci todo o
processo político dentro da igreja mais afundo e aquilo já não fazia mais
sentido. Essa é uma história de crenças pessoais que tratei em outro blog
próprio para levantar essas questões.
Cada vez mais
amadurecia intelectualmente, tive modelos de professores excelentes e a
filosofia é algo que se tornou algo precioso até hoje para mim. Encontrei a
liberdade com a disciplina de estudar, pesquisar e ser contrariada. A filosofia
me tirou do comodismo intelectual, me fez ficar noites sem dormir, dias de angústias,
mas também eixou a vida mais interessante e o mundo dos filósofos me despertou
mais curiosidade. Não posso deixar de citar Nietzsche e suas obras que me
mantém atenta até hoje (e um pouco com raiva das ações humanas). Em parte,
compreendi o sentido da vida, outra parte continuo a compreender. Todo
conhecimento adquirido gerou anseio por ensinar, mas também a repulsa pela
burrice alheia. Parei na sala de aula e amo isso, apesar dos pesares. A arte
ainda continua com um sentido mais profundo até mesmo porque pude estudar a
Filosofia da arte e Estética na grade curricular. Claro que tenho meus momentos
de “professora chata” (para os alunos, claro), um fama que nós, filósofos
temos, pois exigimos dos outros mais raciocínio e pelo menos uma parte de nosso
incomodo que nos faz buscar pelo saber. Por mais que haja rótulos, haverá
aqueles alunos mais evoluídos que farão sentir que minha profissão valeu a pena
como escolha entre tantas outras.

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