terça-feira, 26 de novembro de 2019

A homossexualidade na obra O banquete





 O banquete é uma das obras que mais gosto de Platão onde contém o mais belo discurso feito por Aristófanes sobre a natureza humana. O homem possuía três sexos: feminino, masculino e os dois juntos, o andrógino, uma palavra composta νδρόγυνος: ἀνδρός - homem, γυνήmulher que também significa o sexo composto. Diz que os homens caminhavam eretos, porém o restante do corpo se diferenciava: “Além disso, os homens possuíam formas redondas, tinham costas e flancos ao redor, quatro mãos e quatro pernas, duas faces semelhantes sobre um pescoço redondo, uma só cabeça para esses dois rostos opostamente colocados, quatro orelhas, dois órgãos de geração, e tudo mais na mesma proporção”. Cada gênero tinha sua descendência, sendo masculino de Hélios (Sol), feminino Gaia (Terra) e ambos de Selene (Lua). Porém, por possuírem corpos fortes e serem audaciosos, atacaram o Olimpo. Zeus, para não os exterminar, pois sem os humanos não haveriam cultos e venerações, cortou cada um em duas partes, assim seriam mais fracos e se multiplicariam para servir aos deuses. O homem foi cortado como um vegetal, uma fruta e algumas de suas partes foram refeitas, o umbigo serviu para que se lembrasse de seu erro. Então cada metade começou a procurar a outra, mas a raça morria aos poucos. Logo Zeus colocou seus órgãos sexuais para a frente estabelecendo assim a procriação.
 O amor que cada pessoa sente pela outra surge através dessa procura de se fazer um só, de chegar a sua antiga perfeição, é o “encontrar a cara metade, sua alma gêmea” como dizemos atualmente. E isso não se dá somente pela relação heterossexual. A homossexualidade é explicada e a obra dá sentido para esse tipo de amor. Partindo para a análise da atração de gêneros, Platão afirma que os homens atraídos pelas mulheres são de origem andrógina, já que a espécie anterior era composta de dois sexos e há o grupo feminino que pertence as tríbades (lésbicas) e os pederastas que são os homens que pela ousadia, virilidade se ligam aos outros homens, esses são os verdadeiros servidores do Estado. Quando se casam, o homem e mulher apenas pretendem gerar filhos e os casais do mesmo sexo, vivem para a opinião pública, o exercício da política.
 O personagem Aristófanes ainda defende o culto tradicional aos deuses, pois teme que a falta da religião seja castigada com mais uma divisão. Se houver honra e a amizade dos deuses for conquistada, cada um irá descobrir a sua outra parte, a quem ama encontrando assim a felicidade tanto desejada por todos os seres humanos.

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